
Formando Moacir Armando Soares Gama é cumprimentado por Lula após receber o diploma de suas mãos (foto: Ricardo Stuckert)
A redemocratização do acesso ao ensino superior no Brasil ganhou um novo e histórico capítulo por iniciativa direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a institucionalização da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP). Amparada pelo Decreto nº 12.410, de 13 de março de 2025, assinado pelo presidente Lula para regulamentar o Programa Diversidade na Universidade (oriundo da Lei nº 10.558/2002), essa política pública federal consolida-se como um pilar essencial de reparação histórica. Ao integrar e fortalecer as iniciativas comunitárias de base sob a chancela presidencial, a Rede CPOP transforma cursinhos populares em autênticos instrumentos de empoderamento da juventude negra e indígena, garantindo o direito à universidade pública e combatendo as estruturas de desigualdade racial e socioeconômica no país.
A Rede CPOP e suas diretrizes estruturantes
A Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) foi estruturada pelo governo federal com o propósito de fornecer suporte técnico, pedagógico e financeiro a cursos pré-vestibulares comunitários e populares em todo o território nacional. O foco central é a preparação de estudantes socialmente desfavorecidos, oriundos de escolas públicas, de baixa renda, negros, indígenas e quilombolas, para o ingresso no ensino superior, prioritariamente por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Os objetivos principais da política pública englobam:
- Fortalecimento institucional: Apoiar financeiramente e estruturar os cursinhos comunitários que historicamente operam de forma voluntária e sem recursos.
- Diretrizes pedagógicas: Elaborar orientações focadas na matriz de competências do Enem para potencializar o desempenho dos estudantes.
- Equidade étnico-racial: Ampliar o acesso à educação superior, focando de forma prioritária na juventude negra e nos povos originários.
- Retomada do interesse: Contribuir para o engajamento contínuo dos jovens brasileiros pelo Enem e reverter taxas históricas de abstenção.
- Ocupação de vagas públicas: Viabilizar o preenchimento efetivo das vagas de graduação nas instituições federais por quem mais necessita.
O desenho da política pública inclui o repasse de auxílio financeiro para contratação e manutenção de professores e coordenadores, apoio técnico-pedagógico e psicossocial, além de conceder uma bolsa-permanência de R$ 200 mensais para os estudantes matriculados garantirem o transporte e a alimentação durante os meses de preparação.
O protagonismo do Presidente Lula, a expansão universitária e as cotas
O surgimento da CPOP é fruto do compromisso pessoal do presidente Lula com a democratização radical do ensino, coroando um processo contínuo iniciado em seus primeiros mandatos. A partir de 2003, sob a liderança de Lula, o governo federal promoveu a maior expansão da história do ensino superior brasileiro. Por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), foram criadas dezenas de novas universidades federais e centenas de novos campi espalhados pelo interior do país, descentralizando o conhecimento que antes ficava restrito às grandes capitais.
Essa expansão física foi estruturalmente combinada com ações afirmativas e políticas de inclusão social. A sanção e, posteriormente, a consolidação e renovação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012) mudaram definitivamente a face da universidade brasileira. Ao reservar no mínimo 50% das vagas para estudantes de escolas públicas, com recortes específicos para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência, o Estado brasileiro gerou uma revolução demográfica nos bancos universitários. A assinatura da CPOP pelo presidente Lula surge justamente para fazer a ponte indispensável entre a escola pública vulnerável e a universidade cotista, preparando o candidato para disputar e ocupar o seu espaço de direito.
Diretrizes pedagógicas e a aplicação das Leis 10.639 e 11.645
No coração pedagógico da CPOP e dos cursinhos comunitários está a aplicação prática e obrigatória da Lei nº 10.639/2003 e da Lei nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em toda a rede de ensino.
Nos cursinhos populares, essas legislações deixam de ser apenas um cumprimento curricular burocrático e se transformam em uma ferramenta viva de descolonização do conhecimento. Ao fundamentar suas aulas em conteúdos de literatura negra, sociologia das relações étnico-raciais, filosofia africana e a história das lutas dos povos indígenas no Brasil, a Rede CPOP prepara os estudantes de forma qualificada para as exigências contemporâneas das provas e da redação do Enem. Mais do que isso, a aplicação dessas leis dentro da rede promove o resgate da memória e da ancestralidade, garantindo que o ingresso na universidade ocorra de forma consciente e politizada.
Avanços na educação pública e a rede de proteção na Bahia
A evolução da educação pública brasileira guarda estreita relação com os investimentos estratégicos realizados em diferentes períodos democráticos. No âmbito federal (Governos Lula e Dilma), o investimento no PIB voltado para a educação saltou significativamente, impulsionando programas como o Prouni, o Fies e os Institutos Federais (IFs).
Em perfeita sinergia, a Bahia implementou um sólido projeto de transformação educacional e de proteção à juventude. Nos governos de Jaques Wagner e Rui Costa, o estado priorizou a descentralização com a criação da UFRB e da UFSB, além do fortalecimento das universidades estaduais (UNEB, UEFS, UESC e UESB). Na educação básica e profissional, houve a expansão dos complexos educacionais integrados e das escolas de tempo integral — política ampliada, consolidada e aprofundada pelo governador Jerônimo Rodrigues, que trouxe sua bagagem de educador para criar uma das redes mais robustas de permanência estudantil e empregabilidade do país por meio de programas estratégicos:
- Bolsa Presença: Concede o repasse mensal de R$ 150 por família, acrescido de R$ 50 fixos por estudante a partir do segundo filho matriculado na rede estadual. Vinculada à assiduidade escolar, a verba alivia a vulnerabilidade doméstica imediata e combate o abandono escolar.
- Mais Futuro: Garante auxílio financeiro para o custeio de transporte, moradia e alimentação de estudantes vulneráveis matriculados em cursos de graduação presencial das quatro universidades estaduais baianas, evitando a evasão no ensino superior.
- Partiu Estágio: Abre as portas da administração pública estadual para estudantes universitários vulneráveis ou inscritos no CadÚnico, unindo o aprendizado acadêmico à primeira vivência remunerada no mercado profissional.
- Primeiro Emprego: Direcionado à juventude egressa do ensino técnico e profissional da rede estadual, o programa insere os jovens em postos de trabalho formais dentro de órgãos públicos, superando a barreira da falta de experiência prévia exigida pelo mercado privado.
Escala da Rede CPOP e o impacto social na Juventude Negra
A consolidação da CPOP atinge números expressivos no cenário nacional. O Ministério da Educação (MEC) projeta o benefício direto a 1.532 cursinhos populares em todo o Brasil, com um investimento orçamentário de até R$ 290 milhões mobilizados por determinação do governo federal para garantir bolsas e materiais didáticos de alto nível.
Na Bahia, estado que concentra a maior população negra fora da África, a capilaridade da CPOP ganha contornos ainda mais vitais. Dezenas de iniciativas de cursinhos comunitários, historicamente erguidas por movimentos negros, igrejas progressistas e coletivos periféricos, passam a integrar a rede oficial. Esse aporte de recursos se une às políticas de transferência de renda federais, como o Pé-de-Meia , criando um ecossistema completo de proteção.
Mais do que fornecer conteúdos programáticos, o cursinho popular atua como um espaço de letramento racial, cidadania e elevação da autoestima da juventude negra. Ao ocupar a sala de aula de um cursinho comunitário legitimado e financiado pelo Estado, o jovem negro deixa de enxergar a universidade como um sonho distante ou impossível e passa a entendê-la como um destino viável.
Horizontes da CPOP: Desafios e aprimoramento
Apesar do caráter revolucionário da criação da Rede CPOP pelo presidente Lula, a consolidação da política pública enfrenta desafios estruturais, como a regularidade e agilidade burocrática dos repasses financeiros e a descentralização geográfica para fazer o programa romper a barreira das grandes metrópoles, alcançando as comunidades quilombolas, ribeirinhas e o interior profundo. O aprimoramento contínuo exige a integração da CPOP com outras plataformas e o fortalecimento de parcerias com as universidades públicas para a cessão de espaços, além de um plano ousado de ampliação orçamentária para acompanhar a crescente demanda da juventude periférica.
Em suma, a eficácia histórica desse momento reside na perfeita consonância política e administrativa entre as esferas federal e estadual. Enquanto o presidente Lula lidera o país na reconstrução de pontes nacionais de inclusão e reparação, fornecendo a estrutura da CPOP e a segurança do Pé-de-Meia, o governador Jerônimo Rodrigues consolida na Bahia um cinturão de acolhimento local que cuida do jovem desde a frequência na escola básica até o primeiro emprego com carteira assinada.
Quando os governos articulam transferências de renda com fomento à permanência universitária e inserção profissional qualificada, eles provam que as políticas públicas deixam de ser conceitos abstratos e passam a significar a conquista do primeiro diploma universitário de uma linhagem familiar inteira. A Rede CPOP e os programas estaduais baianos não são meras ferramentas de treinamento; são políticas vivas de soberania popular que transformam a realidade das periferias e asseguram que o futuro do Brasil seja construído por quem mais precisa.
O povo brasileiro, em sua ampla diversidade e pluralidade, segue superando desafios e mudando a sua própria realidade e a de suas famílias. Com governantes que cuidam de gente, por meio de políticas públicas que semeiam esperança e geram oportunidades, pavimentam o caminho para que esta geração escreva sua própria história. É o Brasil e a Bahia de mãos dadas com as juventudes.
Artigo da Negritude Socialista Brasileira, produzido por Luís Henrique Souza – Direção Executiva Nacional / Secretário Nacional de Juventude Negra da NSB.

Referências Bibliográficas
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