A trajetória do vereador César Brisolara, conhecido como Cesinha, é a tradução viva da política que a Negritude Socialista Brasileira defende: aquela que nasce do povo, dialoga com os territórios e transforma vidas reais. Homem negro, trabalhador, guardador de carros desde a infância, Cesinha construiu sua caminhada a partir da periferia de Pelotas, no bairro Guabiroba, e hoje ocupa um dos espaços mais simbólicos do poder institucional — a presidência da Câmara Municipal.
Sua história não é exceção individual: é expressão coletiva. Desde cedo, conciliando trabalho informal com estudos, Cesinha aprendeu que dignidade, solidariedade e organização popular são instrumentos de sobrevivência — e também de transformação. Antes mesmo de ocupar um mandato, criou em 2014 o Coletivo Um de Nós, iniciativa solidária que até hoje distribui marmitas e alimentos semanalmente para famílias em situação de vulnerabilidade em Pelotas. A política, para ele, sempre foi prática cotidiana, muito antes de ser cargo.
Da periferia ao plenário
Em 2016, disputou sua primeira eleição e, mesmo sem vitória, consolidou sua atuação comunitária como presidente da Associação de Moradores da Guabiroba, incentivador do esporte na periferia com o projeto Futuros Campeões e liderança reconhecida nacionalmente pela RAPS (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), que o incluiu entre as 99 lideranças transformadoras do Brasil.
Em 2021, foi eleito vereador, levando à Câmara Municipal uma agenda construída nas ruas, nas comunidades e nos movimentos populares. Desde então, presidiu por três anos consecutivos a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais estratégicas do Legislativo, e em 2023 tornou-se Presidente da Câmara Municipal de Pelotas, reafirmando que representatividade não é símbolo — é projeto político.
Ao assumir a presidência, Cesinha afirmou: “Quero que a população perceba que o presidente desta Casa é igual a eles. Representatividade é a porta de entrada para ocupar os espaços de poder.” Uma promessa que se converteu em prática política.

Uma presidência que democratiza o Legislativo
À frente da Câmara, Cesinha promoveu uma gestão marcada pela proximidade com a população, transparência e inovação institucional. Entre as principais iniciativas estão:
- Criação da Rádio Câmara, ampliando o acesso à informação pública e fortalecendo a transparência legislativa.
- Projeto Ouvidoria na Rua, levando semanalmente a Câmara ao centro da cidade para escuta direta das demandas populares.
- Formação e qualificação de servidores, com mais de 700 cursos gratuitos em parceria com a Escola Federativa e capacitações presenciais.
- Política de combate ao assédio no Legislativo, com medidas inéditas de escuta protegida às servidoras.
- Promoção da cultura negra, com exposições como Visão Africanista e valorização da arte afro-brasileira nos espaços institucionais.
- Inclusão cultural e educacional, garantindo transporte gratuito para estudantes da rede pública à Feira do Livro e acesso de crianças periféricas à Fenadoce.
- Inauguração da unidade Tudo Fácil em Pelotas, centralizando cerca de 60 serviços públicos e ampliando o acesso a direitos.
- Estande cidadão na Fenadoce, com oficinas de robótica, impressão 3D e atendimentos jurídicos e de saúde gratuitos.
Durante a virada de 2023 para 2024, Cesinha assumiu interinamente a prefeitura de Pelotas e realizou um gesto histórico: recebeu oficialmente os cuidadores de carros da cidade no Paço Municipal — uma categoria historicamente invisibilizada e da qual ele próprio faz parte. Um ato simbólico e político de inclusão, escuta e dignidade.
Um mandato comprometido com justiça racial, social e dignidade
No campo legislativo, o mandato de Cesinha se destaca pela produção de leis que enfrentam desigualdades estruturais, ampliam direitos e fortalecem políticas públicas. Entre os principais projetos e leis de sua autoria estão:
- Lei da Liberdade Econômica (2023)
Desburocratiza a abertura e funcionamento de pequenos negócios, fortalecendo o empreendedorismo popular e a economia local, especialmente nas periferias. - Projeto de Lei nº 5534/2021 — Política Municipal de Prevenção e Combate ao Racismo Institucional
Institui a Coordenadoria de Igualdade Racial e estabelece diretrizes permanentes para o enfrentamento do racismo nas estruturas públicas. - Projeto de Lei nº 5137/2021
Impede que pessoas condenadas por racismo ou injúria racial ocupem cargos públicos no município. - Projeto de Lei nº 5617/2021
Cria o endereço social para pessoas em situação de rua, garantindo acesso a serviços, benefícios e políticas públicas. - Projeto de Lei nº 74/2022
Proíbe homenagens públicas a figuras ligadas à escravidão, ao nazismo e à eugenia, reafirmando o compromisso com os direitos humanos. - Projeto de Lei nº 86/2022
Cria plataforma digital para agendamento de atendimentos da Secretaria de Assistência Social, ampliando eficiência e acesso aos serviços. - Projeto de Lei nº 132/2023
Autoriza o uso da carteira de identidade como comprovação de deficiência permanente ou TEA, facilitando o acesso a direitos. - Projeto de Lei nº 33/2025
Determina que unidades públicas de saúde divulguem escalas, horários, profissionais de plantão e especialidades disponíveis, fortalecendo a transparência no SUS municipal.
Além disso, Cesinha é autor da lei que instituiu o Congresso Presença Negra de Pelotas, evento permanente que coloca a população negra no centro do debate público, promovendo rodas de conversa, painéis temáticos, escuta comunitária e valorização da cultura afro-brasileira — um marco institucional no enfrentamento ao racismo e na construção de políticas públicas com centralidade racial.
Representatividade que transforma estruturas
Reeleito vereador com mais que o dobro de votos, alcançando 4.421 eleitores, Cesinha reafirma que quando o povo ocupa, o poder muda de lado. Sua trajetória rompe com o padrão elitista da política institucional e reafirma que trabalhadores, pessoas negras e moradores das periferias não apenas podem ocupar os espaços de poder — como os transformam.
Para a Negritude Socialista Brasileira, a caminhada de César Brisolara é símbolo vivo da nossa luta por democracia racial, justiça social e poder popular. Do cuidado com os carros à presidência da Câmara, sua história nos lembra que política não é privilégio: é direito — e ferramenta de emancipação coletiva.










