Uma entrevista sobre resistência, enfrentamento e o poder transformador das mulheres negras na política brasileira
A presença de mulheres na política brasileira ainda é marcada por desigualdades históricas. Quando se trata de mulheres negras, os desafios se aprofundam, atravessados pelo racismo estrutural e pelo sexismo. É nesse cenário que a secretária nacional da Negritude Socialista Brasileira, Valneide Nascimento, constrói sua trajetória política — pautada na coletividade, na resistência e na transformação.
Nesta entrevista especial para o site da Negritude Socialista Brasileira, Valneide compartilha reflexões sobre o que significa ser mulher na política, os obstáculos enfrentados ao longo de sua caminhada e os caminhos que aponta para as próximas gerações.
Ser mulher na política: resistência e transformação
Para Valneide, ocupar espaços políticos sendo mulher ainda exige coragem cotidiana. Em um ambiente historicamente dominado por homens, a necessidade de reafirmação constante é uma realidade.
“Ser mulher na política ainda é um exercício constante de resistência e afirmação. Muitas vezes precisamos provar nossa capacidade mais do que os homens”, afirma.
Mas essa presença não se limita à ocupação de cargos. Ela representa também uma ruptura com modelos tradicionais de poder. Segundo a secretária, quando uma mulher chega à política, ela leva consigo outras formas de construir políticas públicas — mais coletivas, mais conectadas com as realidades sociais.
Essa transformação é ainda mais profunda quando falamos de mulheres negras, que carregam consigo experiências atravessadas por múltiplas opressões. “Enfrentamos simultaneamente o racismo e o sexismo”, destaca.
Desafios estruturais e violência política
A trajetória de mulheres negras na política é marcada por barreiras estruturais que vão desde a sub-representação até o acesso desigual a recursos e espaços de decisão.
Valneide aponta que a violência política de gênero e raça é um dos principais entraves. Essa violência se manifesta de diversas formas: na tentativa de silenciamento, na deslegitimação de suas falas e, muitas vezes, em ataques diretos.
“Existe uma tentativa constante de deslegitimar nossas vozes”, afirma.
Apesar disso, ela ressalta que esses desafios também fortalecem sua caminhada e reafirmam seu compromisso com a luta coletiva — especialmente dentro de espaços organizados como a Negritude Socialista do Partido Socialista Brasileiro.
Política como espaço de pertencimento
Ao falar com meninas e mulheres que desejam ingressar na política, Valneide é direta: não esperem autorização.
“Acreditem no seu potencial e não esperem permissão para ocupar os espaços”, aconselha.
Sua mensagem reforça a importância da formação política, da construção de redes de apoio e da coletividade como estratégia de permanência e fortalecimento. Para ela, cada mulher que avança abre caminho para muitas outras.
Mais do que um espaço a ser conquistado, a política deve ser compreendida como um direito.
“A política não é um lugar que devemos conquistar apenas — é um lugar que também nos pertence.”
Por mais mulheres negras decidindo os rumos do país
A fala de Valneide Nascimento ecoa um chamado urgente: ampliar a presença de mulheres negras nos espaços de poder não é apenas uma questão de representatividade, mas de justiça social e de construção de um projeto democrático mais inclusivo.
Fortalecer a participação política dessas mulheres é fortalecer a própria democracia — com mais diversidade, mais equidade e mais compromisso com a transformação social.
A Negritude Socialista Brasileira segue em marcha, reafirmando que não há democracia plena sem a presença, a voz e o protagonismo das mulheres negras.










